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sábado, 30 de novembro de 2024

Um Banquete com as Consequências

Autor: Oliver Harden 

Enviado por : Jorge Luiz Leal

Sentados à mesa, os convivas se reúnem, não por escolha, mas por necessidade. O banquete é servido, e cada prato traz à tona um gosto peculiar: o doce da vaidade, o salgado do arrependimento, o ácido da culpa e o amargo do desejo. Não há como recusar; cada um é servido por uma mão invisível, um destino que não pede permissão, apenas cobra presença.

A princípio, a fome do instante seduz. O prato da vaidade, com seu brilho ilusório, é o primeiro a ser devorado. Seu sabor engana, promete glórias e risos, mas, no fundo, deixa um rastro vazio, uma sede insaciável. Depois, o arrependimento chega como um caldo espesso, deslizando pela garganta com o peso de escolhas irreversíveis.

Eis que o prato mais ácido aparece: a culpa. Ela não precisa de apresentação, pois todos a reconhecem de imediato. Não é mastigada, mas engolida à força, deixando cicatrizes invisíveis no interior de quem a consome. O desejo, por fim, surge como um doce envenenado, irresistível em sua aparência, mas letal em sua essência. Ele promete saciar, mas alimenta um vazio que cresce em proporção à sua busca.

No centro do salão, um espelho reflete o rosto dos comensais. Não há mais máscaras ou mentiras; cada um vê, sem filtros, os rastros do que comeu. O banquete se revela um tribunal, onde os pratos não são apenas sabores, mas juízes implacáveis.

É nesse instante que a poesia do banquete se desdobra em tragédia e redenção. Alguns levantam-se e enfrentam seus reflexos, reconhecendo-se nos próprios erros. Outros, presos à cegueira do orgulho, tentam saborear mais, ignorando que o alimento da negação não os salvará, apenas prolongará a dor.

O banquete das consequências é inevitável. Não importa o quanto tentemos evitar os convites, ele sempre nos encontra. No entanto, talvez a maior sabedoria esteja em aprender a degustar cada prato, não com medo ou culpa, mas com a consciência de que cada sabor é uma lição, e que a verdadeira redenção não é recusar o banquete, mas compreender o paladar da vida.

2 comentários:

  1. Do blog:

    Não querem estar presentes, mas estão aí, tem alguma coisa que os leva.
    Somente um exemplo: um político de bons princípios, mudara sua vida, seu caráter, por “olho grande”
    Todo ser humano, com certeza! Tem, algum desses vícios, já seja por interesse e ganancias.
    Não se conhece, ainda um homem perfeito, poderá viver 500 anos e não chegara perto.
    Eles perdem a razão! Vergonha, não existe mais.
    Parabéns ao autor!
    Vale a pena meditar, nunca e tarde para ser diferente...

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