Miosótis
Artigo extenso, por isso foi reduzido, e acompanha a fonte, e dados de pesquisas se quiserem acompanhar.
dlsotolepe
...Deixando a curta introdução de enquadramento, falemos acerca da ligação simbólica desta pequena e bonita flor que adorna as nossas lapelas.
https://www.freemason.pt/a-flor-da-miosotis
Qualquer experiente maçom se surpreende com a diversidade e número de símbolos associados à Ordem. Esta pequena flor é, no entanto, um dos mais novos símbolos maçônicos, com perto de seis ou sete décadas e, pelo que se sabe, nem sequer aparece em nenhum ritual. É um símbolo pungente que adquire a sua expansão e força simbólica devido ao que representa de coragem perante a tirania.
Nos anos de 1925/1926, bastante antes de Adolfo Hitler
se tornar chanceler da Alemanha, a miosótis surge pela primeira vez associada à
maçonaria, numa convenção anual em Bremen, na Alemanha. A florzinha foi
entregue aos participantes visando os mobilizar em torno das
necessidades de milhares de desemparados devido à crise econômica que o
país atravessava na época.
De igual forma antes da sua ascensão ao poder, já
Hitler, no seu livro “Minha Luta”, num dos seus muitos delírios, deixava um
primeiro aviso aos maçons alemães, ao afirmar “a maçonaria sucumbiu aos judeus
e converteu-se num excelente instrumento para combater pelos seus interesses
[…]”.
Com a ascensão de Hitler ao poder, que acontece em
1934, a maçonaria alemã anteviu que estava em perigo e em causa a sua
sobrevivência, dada a política, mistura de antissemitismo e ante maçônico,
seguida pelo ditador, de confiscar e se apropriar os bens dos maçons bem como
das Lojas Maçônicas.
A ameaça que a governação nazi preconizava, levou as
Lojas a iniciarem um processo de passagem à clandestinidade ou auto liquidação,
sem que haja indícios que ele tenha sido determinado por qualquer autoridade
maçônica, o que leva a acreditar que o fizeram de mote próprio, protegendo-se
individualmente.
A ditadura nazi, em 1937, apoda a maçonaria como
“inimiga do estado”, doutrina que se consolidou em 1940 com a proibição de
sociedades “secretas”, abrangendo a Augusta Ordem, quer na Alemanha, quer nos
países ocupados pelos germânicos, onde foram fechadas Lojas lhes foi retirado o
direito de propriedade.
Neste percurso, há defensores da hipótese de que a intensão do ditador nazi era
acabar com a maçonaria existente, para criar uma maçonaria ariana livre da
presença judia. Há ainda quem defenda que o ódio à maçonaria dos ditadores,
Hitler e Franco, bem como qualquer outro cabecilha de governos musculados,
estava ligado ao fato de não suportarem o espírito livre dos maçons e de
considerarem o livre pensamento como uma ameaça.
No que se refere aos dois ditadores atrás nomeados, há
quem aponte que a sua aversão partia do fato de lhes ter sido recusada a
iniciação na Ordem. Não é um fato está última afirmação, é sim uma conjectura
que não sabemos se está documentada, muito em especial no que se refere a
Hitler.
É possível afirmar, segundo bibliografia existente,
nomeadamente no trabalho produzido pelo Professor Andreej Karpowicz, incluído
em “in The Masonic Collection of the Universiy Library in Poznan”, que
ocorreram pilhagens, deliberadamente organizadas, aos maçons e lojas maçônica
e que grande parte do espólio – livros e arte maçônica – de Grandes Lojas de
vários países – tais como Holanda, Noruega, Áustria e mesmo França e Bélgica –
foram roubados, com intensão de levar à extinção da maçonaria.
Nestas condições adversas e perante tão brutal perseguição, que levou inúmeros
IIr:. a serem enclausurados nos campos de concentração, fez acentuar o instinto
de preservação e sobrevivência. Isto obrigou os maçons a adotarem uma marca de
reconhecimento, sem ligação conhecida ao perceptível Compasso e Esquadro, que
eram, para os nazis, tão ou mais desprezíveis do que estrela amarela usada
pelos judeus. A escolha foi a pequena e discreta flor dos miosótis.
A preferência não ocorreu por mera simpatia pela flor,
mas com um objetivo óbvio. Este símbolo era já usado anteriormente quer por
profanos, quer por maçons, ligados aos movimentos de solidariedade e caridade.
Deste modo, os IIr:. Alemães atribuíram a miosótis um
sentido de “escondido” ou secreto tornando-se conhecido só deles, o qual pela
sua dupla simbologia – profana e maçônica – seria mais discreta, deixando os
maçons a coberto. A miosótis tornou-se então um símbolo de grande utilidade e
de reconhecimento dos IIr:. Durante todo o tempo de duração da escuridão nazi,
não permitindo que a Luz se extinguisse. A miosótis identificava os irmãos que
continuavam a trabalhar na Ordem, em liberdade, mas em condições extremamente
perigosas, bem como os que se encontravam confinados e sujeitos às maiores sevícias nos campos de extermínio.
No texto de Rosa Maria González Chávez, em “Hitler y
la Masonaria”, confirmam-se muitos dos fatos atrás referidos, reforçando que
nesse período de obscurantismo muitos maçons foram assassinados
indiscriminadamente enquanto muitos outros passaram à clandestinidade. Milhares
foram levados para os campos de concentração, onde foram eliminados, à
semelhança do que aconteceria a milhões de judeus.
Enquanto permaneciam enclausurados nos campos da morte
eram identificados com um triângulo vermelho, o que os diferenciava dos
portadores da tristemente célebre estrela amarela.
No pós-guerra, em 1947, foi reaberta a Grande Loja do
Sol, em Bayreuth, na Alemanha e o pequeno pin em forma de “não me esqueças”,
consolidou-se como um símbolo dos Irmãos que sobreviveram àqueles anos negros,
para perpetuar a Luz da Maçonaria. Tornou-se de igual forma num símbolo de
homenagem aos que foram exterminados pela bestialidade nazi.
No ano seguinte, na primeira convenção anual das
Grandes Lojas Unidas Alemãs em 1948, o pin foi adotado como emblema oficial.
(verifico aqui uma divergência de datas relativamente a esta abertura: há duas
datas referidas em vários textos, 1947 e junho de 1954. Inclino-me a aceitar a
primeira data, tendo em conta que as tropas vitoriosas integravam militares
maçons dos vários continentes, em vários graus e qualidades, logo o apoio ao
“renascimento” ou revigoramento das Lojas alemãs seria certamente uma das
prioridades dos irmãos que integravam os exércitos vitoriosos. Não me parece
credível que a Ordem esperasse mais de uma década para voltar a tomar o vigor
anterior.)
Apoiando-me ainda no já citado Professor Andreej
Karpowicz, refiro como elemento interessante o fato de a flor miosótis se
encontrar também associada às forças britânicas que serviram na zona do rio
Reno no pós-guerra. Reforçando este fato é a constatação da existência de uma
Loja, a Forget-me-not número 9035, em Wiltshire, pertencente à Grande Loja
Unida da Inglaterra, que adotou a miosótis para o seu estandarte. Além disso, encontramos também referências à existência de uma loja na Alemanha com o
mesmo nome.
Muito haveria a dizer das adversidades vividas pela maçonaria na
Alemanha durante o nazismo, mas o objetivo é unicamente
a pequena abordagem da simbólica flor miosótis.
Antes de terminar, apenas mais umas palavras para altear a importância
que esta pequena flor tem para a Ordem. Uma simples flor, também conhecida como
Verônica, representa os melhores ideais e bandeira da maçonaria, como divisa de
fraternidade e solidariedade frente à opressão, tornando-se, talvez no pin mais
amplamente utilizado pelos Maçons.
Não-me-esqueças: É um apelo e é bom que o tenhamos sempre presente para
que, efetivamente, não esqueçamos os mais desvalidos, que necessitam do nosso
apoio, nem tão pouco dos que já não estão entre nós e nos aguardam no Oriente
Eterno.
Jorge C., Aprendiz Maçon – 10-04-6014
Bibliografia
http://quenosocultan.wordpress.com/2013/11/13/hitler-y-la-masoneria-parte-1-de-2/
http://masoneriaparatodos.blogspot.pt/2007/03/persecuciones.html
www.deldebbio.com.br/index.php/2010/03/11/a-miosotis-e-a-maconaria/
BOYD, David G. “Das
Vergissmeinnicht”. In Philalethes, Abril de 1987.
Vergissmeinnicht
GONZÁLEZ CHÁVEZ, Rosa Maria.
“Hitler y la Masonaria”.
KARPOWICZ, Andrzeij . “The
Masonic Collection of the University in Poznan”, editora Kilo 1992.
LARAN, Eric. “Le Myosotis”. Grande Loge Nationale Française. s/d
RODRIGUES, Felisberto S. “ Para não esquecer! (Hitler e a Maçonaria)”, revista Engenho&Arte, nº 10, Outubro de 2002.
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